Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Lenda da Campa do Preto - Freguesia de Gemunde

  Decidimos dar-vos a conhecer as freguesias que vamos abordar no nosso projecto. Assim, a partir de hoje iremos mostrar-vos um pouco de cada freguesia, começando pela lenda de um local conhecido da freguesia de Gemunde.

 

 

  A Campa do Preto, localiza-se na freguesia de Gemunde. O seu jazigo fica à margem da estrada que liga Castêlo da Maia à Vila de Matosinhos. 

   Os nossos antepassados situam a acção da história em torno de 1790.

   Um preto de pura alma branca cujo nome se perdeu, servia em casa de um fidalgote provinciano, do qual não há informações hoje em dia.

   O fidalgo percorria os seus campos e aldeias à procura de uma nova donzela para dar novo tom aos seus monótonos momentos ocasionados pela notável arte de não fazer nenhum.

  Um dia conseguiu arrastar ate à sua nobre mansão uma donzela aldeã de rosto formoso, de corpo bem formado, longas tranças e olhos castamente baixos. De sala em sala, ao longo dos corredores conseguiu levá-la até aos seus aposentos mais íntimos, tentou seduzi-la mas os seus modos desajeitados levaram apenas à repulsa da jovem. Apercebendo-se que este a quereria violar ela fugiu e foi parar a uma grande seara de trigo.

  Enraivecido pelo sucedido, o fidalgote jurou dupla vingança. Assim, chamou o seu criado negro e os restantes criados e madou-os queimar a seara. De imediato, os criados deslocaram-se para o local com archotes e fizeram o que lhes tinha sido pedido, no entanto o criado preto apagou o seu archote o que fez com que uma das zonas demorasse mais tempo a arder e a donzela conseguiu escapar por aí.

   Derrotado o fidalgote chamou o preto:

- Desobedeceste-me!

- Patrãozinho, eu não podia queimar o pão nem a menina. A maldição cairia sobre nós…

- Bem, não vais voltar a desobedecer-me.

- Pois não, patrãozinho. Desculpe-me sim!

- Aparelha-me o cavalo que vou à festa da Senhora da Hora!

- Muito bem, eu aparelho patrãozinho.

  Montado, instantes depois no seu alazão, o fidalgote passou uma corda em torno do pescoço do escravo preto e amarrou a outra ponta à sela.

- Agora vais acompanhar-me, rapaz.

- Sim patrãozinho eu obedeço.

  O fidalgote lançou o cavalo à desfilada.

  A estrada para a Senhora da Hora passava por Gemunde.

  Ao princípio o preto corria, mas depois desistiu. Corpo caído e sacudido entre as pedras. O fidalgo esporeava a sua montada e o desgraçado do preto morto dos primeiros encontrões nos rochedos, ia ficando com o cadáver retalhado pelo caminho, desmembrado da maneira mais horrível.

  O bom povo dali apercebeu-se do que se passava e lançou-se, multidão amotinada e a pé em perseguição do fidalgote assassino. Pelo caminho iam recolhendo os pedaços do desgraçado.

  Em Gemunde encontraram a cabeça do pobre preto. Apercebendo-se que o cadáver estava completo, logo lhe deram sepultura, amaldiçoando os fidalgos do patrão infame.

  Lugar de lembrança de um preto martirizado, assim ficou a Campa do Preto.

  À volta desta campa o povo faz as suas preces, reza ajoelha-se e tem o preto como santo. Como forte testemunho diz-nos a pedra de cobertura do mausoléu, tal como o cruzeiro, datados de 1883 e 1892 promessa feita pelos pescadores de Matosinhos nas horas aflitivas de vendavais.

publicado por casteloseosseuslacos às 11:53

link do post | dar a tua opinião | favorito
|

Visitas : )

Hórinhas!

Nós

Junho 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

Notíciazinhas :)

6 de Junho de 2008 - Aula...

5 de junho de 2008 reuniã...

4 de junho de 2008 GRANDE...

3 de junho de 2008 EXTRA

2 de Junho de 2008

Melhores Momentos do grup...

30 de Maio de 2008 - Expo...

Reuniãozinha -29 de Maio ...

O DIA.... 24 de Maio de 2...

EXTRA EXTRA EXTRA

Links

subscrever feeds